quinta-feira, 30 de julho de 2026

Debate na SBPC discute estratégias para ampliar o alcance da comunicação científica


Durante a programação da ExpoT&C da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) da quarta-feira (29), o Auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) recebeu uma palestra que dialoga diretamente com a proposta do evento: divulgação científica. Na ocasião, o coordenador de Comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Daniel Medeiros, conduziu uma conversa sobre os desafios da comunicação científica no ambiente digital.

O tema gerou reflexões e compartilhamento de experiências entre o palestrante e a plateia sobre estratégias para tornar conteúdos científicos mais acessíveis e relevantes para diferentes públicos.

Foram discutidos aspectos como a definição do público-alvo, a construção de narrativas capazes de contextualizar informações técnicas e a importância de aproximar a pesquisa do cotidiano das pessoas. Os presentes falaram sobre storytelling, técnica que organiza a comunicação a partir de elementos como mensagem, conflito, personagens e enredo para facilitar a compreensão dos temas científicos.

Foram apresentados exemplos práticos e detalhamento de materiais de sucesso, com boa acessibilidade, além de técnicas que podem ser inseridas em narrativas que dialogam com situações vivenciadas pelo público, para despertar interesse e facilitar a compreensão dos conteúdos.

O palestrante destacou que a comunicação científica também exige a identificação de histórias presentes no desenvolvimento das pesquisas e de seus impactos para a sociedade. Segundo Medeiros, esse processo envolve aprendizado contínuo, testes de formatos e adaptação da linguagem para diferentes plataformas.

A exposição deste ano é promovida pela SBPC em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e ocorre dentro da universidade, com atividades concentradas no campus Gragoatá. O evento se iniciou na segunda-feira (27) e segue até sábado (1º), sempre das 9h às 18h. O acesso à inscrição, à programação completa, palestras e notícias está disponível no aplicativo oficial do evento, ou no site.

Saiba como a urna eletrônica garante a soberania do voto


Faltando pouco mais de dois meses para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça que as urnas eletrônicas, utilizadas há 30 anos no país, são submetidas a cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria que envolvem órgãos públicos, partidos políticos, universidades e representantes da sociedade civil.

Segundo o secretário de Tecnologia da Informação da Corte, Júlio Valente, o sistema brasileiro está entre os mais auditáveis do mundo e não registra casos comprovados de fraude.

"Acima de qualquer argumento técnico, nenhum se sobrepõe ao fato de que não temos, desde 1996, nenhum caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas."

Uma das principais etapas de fiscalização é o Teste Público de Segurança (TPS), realizado sempre em anos sem eleições. O procedimento permite que qualquer brasileiro com mais de 18 anos apresente propostas de ataques aos sistemas eleitorais para tentar identificar vulnerabilidades.

Segundo Valente, não é necessário ser especialista em tecnologia para participar. Embora profissionais da área e pesquisadores sejam maioria entre os participantes, qualquer cidadão pode submeter planos de teste.

"O teste público democratiza a possibilidade de validar a segurança do processo eleitoral", afirmou.

Caso alguma fragilidade seja identificada, a equipe técnica do TSE implementa as correções. Depois disso, os próprios investigadores são convidados a retornar ao tribunal para verificar se os problemas apontados foram solucionados antes do ano eleitoral.

Desde sua criação, o TPS já foi realizado oito vezes e recebeu contribuições que resultaram em melhorias nos sistemas utilizados pela Justiça Eleitoral.

Para o secretário, o processo faz com que a segurança das eleições deixe de ser uma responsabilidade exclusiva do tribunal e passe a contar também com a colaboração da sociedade.
Universidades e órgãos públicos

Ao longo dos anos, os testes contaram com a participação de pesquisadores de universidades, especialistas em tecnologia e representantes de instituições públicas.

Entre os participantes das últimas edições, Valente citou equipes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, de universidades do Rio Grande do Sul e da Polícia Federal.
Código-fonte

Outra etapa do processo de fiscalização é a abertura do código-fonte dos sistemas eleitorais às entidades habilitadas. Segundo o secretário, todos os programas utilizados nas eleições ficam disponíveis para análise um ano antes do pleito.

O código-fonte corresponde às instruções que determinam o funcionamento dos programas de computador. De acordo com Valente, todas as linhas de programação podem ser examinadas pelas instituições fiscalizadoras.


"Não existe absolutamente nenhuma linha do código-fonte que seja escondida, secreta ou que não seja compartilhada com essas instituições."

Inúmeras entidades acompanham essa etapa, incluindo, entre outras, o Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal, partidos políticos e universidades brasileiras que possuam departamentos de tecnologia da informação.

Segundo o secretário, essas instituições atuam como agentes independentes de fiscalização e reforçam a transparência do processo eleitoral.
Contexto

No último sábado (25), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou que negou vistos de entrada no Brasil a dois funcionários do governo dos EUA: o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.

O motivo, segundo o Itamaraty, é que o governo brasileiro tomou conhecimento do interesse do Departamento de Estado estadunidense de enviar funcionários para monitorar as urnas eletrônicas.

Uma reportagem do jornal The Washington Post afirmou que a gestão do presidente Donald Trump pretendia enviar representantes ao Brasil para levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas. O Departamento de Estado americano negou que essa fosse a finalidade da missão.

O TSE marcou para o dia 17 de agosto uma segunda reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais, a fim de explicar o funcionamento da urna eletrônica brasileira, bem como do sistema eleitoral do país.

Ingressos do espetáculo “40+” com Paulinho Serra (RJ) em São Luís já estão à venda no Sympla

Humorista Paulinho Serra

Os ingressos para o Projeto 5ª Cultural do mês de agosto, que terá como atração o espetáculo nacional “40+”, do humorista Paulinho Serra (RJ), já estão disponíveis para venda no Sympla. A apresentação será no Teatro Sesc Napoleão Ewerton (Condomínio Fecomércio/Sesc/Senac, na Avenida dos Holandeses), dia 20/08, às 19h.

Em cena, uma divertida viagem pelas décadas de 1980, 1990 e 2000, despertando lembranças em quem viveu essa época, além de mostrar para o público mais jovem situações que atravessam gerações. Entre referências nostálgicas e inferências sobre o presente, Paulinho Serra constrói um texto bem humorado, dinâmico e recheado de improvisos que prometem arrancar muitas gargalhadas da plateia.

Com seu estilo irreverente e sua forte interação com o público, cada apresentação ganha um ritmo próprio, tornando o espetáculo uma experiência única. A plateia se reconhece nas histórias, participa espontaneamente e acompanha um humor que mistura nostalgia, cotidiano e observações afiadas sobre a vida contemporânea.


Com mais de duas décadas de carreira, Paulinho Serra (RJ) consolidou seu nome como um dos principais artistas do humor brasileiro, transitando com naturalidade entre a televisão, o cinema, teatro e stand-up comedy. Sua presença de palco, improviso rápido e autenticidade fazem de cada espetáculo um momento leve, divertido e repleto de identificação.

SERVIÇO

O que: Projeto 5ª Cultural, do Sesc Maranhão. Espetáculo “40+”, com o humorista, ator e apresentador Paulinho Serra (RJ)

Quando: Dia 20 de agosto de 2026 (quinta-feira), às 19h

Onde: Teatro Sesc Napoleão Ewerton (Condomínio Fecomércio/Sesc/Senac, na Avenida dos Holandeses)

Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 25,00 (trabalhador do comércio) - disponível pela plataforma Sympla

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Innospace atualiza cronograma de missões previstas para o Centro de Lançamento de Alcântara


A empresa sul-coreana Innospace revisou o cronograma das missões deste ano para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão (MA). O voo inaugural de teste do veículo suborbital Sebit agora está programado para 19 de agosto de 2026. Já o teste do lançador de pequenos satélites Hanbit-Nano permanece previsto para novembro.

A atualização considera o planejamento das campanhas de lançamento, a coordenação para utilização da infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara e a conclusão dos procedimentos técnicos, operacionais e regulatórios necessários para as missões.

O Sebit foi desenvolvido para validar tecnologias de voo antes da utilização em lançadores orbitais. Sua missão é coletar dados sobre o desempenho do foguete durante o seu lançamento e o seu retorno, além de verificar sistemas de propulsão, navegação, telemetria e operação em condições reais de voo. As informações servirão para o desenvolvimento dos próximos veículos da empresa.


Já o Hanbit-Nano é um lançador orbital de pequeno porte, projetado para colocar em órbita satélites de até cerca de 90 quilos destinados, por exemplo, para observação da Terra, comunicações, pesquisas científicas e demonstrações tecnológicas. A missão prevista para Alcântara transportará o InnoSat-0, satélite de testes desenvolvido pela própria Innospace para verificar o desempenho do sistema lançador após as atualizações implementadas após lançamento em 2025.


Segundo a empresa, as atividades de preparação das missões são conduzidas em coordenação com os órgãos e instituições envolvidos na campanha de lançamento. Os componentes do veículo lançador e os equipamentos de apoio em solo já foram enviados ao Brasil, enquanto os preparativos no Centro de Lançamento de Alcântara seguem em andamento.


A definição da data específica para a missão do Hanbit-Nano dependerá da conclusão das etapas técnicas, operacionais e regulatórias, além das condições meteorológicas e dos requisitos de segurança de voo. Conforme a Innospace, o cronograma poderá ser ajustado caso haja necessidade durante a preparação das campanhas de lançamento.


Sobre a Innospace


Fundada em 2017, a Innospace é uma empresa sul-coreana do setor espacial sediada em Sejong, na Coreia do Sul. A companhia desenvolve veículos lançadores para o mercado de pequenos satélites utilizando sistemas de propulsão híbrida na família Hanbit. Os equipamentos são utilizados em missões de órbita terrestre baixa.


No Brasil, a empresa mantém uma subsidiária em São José dos Campos (SP), responsável pelo gerenciamento das operações de lançamento a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.


Sobre a AEB


A Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é o órgão responsável pela coordenação da Política Espacial Brasileira e atua como órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae). Entre suas atribuições estão o planejamento, a coordenação e o acompanhamento das atividades espaciais civis desenvolvidas no País.


Infográfico: Ascom/MCTI

Lula vai à 78ª Reunião Anual da SBPC e pede aliança para as políticas científicas

Lula na 78a SBPC

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, compareceu à 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, na terça-feira (28/07). Na cerimônia, Lula defendeu os investimentos públicos em Ciência e pediu a ajuda da comunidade científica – com ênfase à presidente da SBPC, Francilene Garcia – para o desenho de um novo plano focado nas políticas científicas.

“Se não fossem as pesquisas acadêmicas, a gente não teria muitas das coisas que hoje nós temos hoje. Eu sei que é preciso investir. Por isso que eu disse para nossa presidente da SBPC: ‘Me apresente uma proposta’. Porque se a gente for discutir Ciência e Tecnologia a partir do orçamento, a gente não vai ter investimento em pesquisa. E por que não vamos ter? Porque o Brasil não pensou [historicamente] nisso, e o dinheiro é sempre muito limitado.”

O presidente da República defendeu que seja criado um projeto novo, concreto e complexo, e que tenha metas e detalhamento orçamentário, para que facilite seu debate dentro dos poderes Executivo e Legislativo. Este pedido já havia sido feito na última sexta-feira, 24 de julho, quando Lula visitou a sede da SBPC.

Direcionando a fala à presidente da SBPC, Francilene Garcia, Lula defendeu que a comunidade científica encabece esse documento propositivo. “Eu quero preparar esse País. E são vocês que podem dizer: ‘Lula, nós queremos que você coloque em prática tal plano, com tais metas’. Porque se o plano for bom, nós vamos levar ao Congresso Nacional. Vou conversar com o presidente da Câmara, vou conversar com o presidente do Senado, vou levar vocês para conversarem com eles e nós temos que provar para eles que isso não é algo bom para mim, não é bom para um partido só, é bom para esse País.”


Não é a primeira vez que Lula faz esse tipo de pedido. Em 2008, quando visitou a sede da SBPC pela primeira vez, solicitou às organizações representantes da comunidade científica que lhe encaminhassem “uma cesta” dos problemas que bloqueavam o andamento da Ciência, Tecnologia e Inovação e também da Educação do País. O documento final foi entregue em 26 de maio de 2010, na abertura da 4ª Conferência Nacional de CT&I, em Brasília, e resultou na formulação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 290/13, em 2013, que culminou com a Emenda Constitucional nº 85, promulgada em 26 de fevereiro de 2015. Um dos resultados disso foi a inserção do termo “inovação” no contexto das atividades de ciência e tecnologia, consolidando a expressão “CT&I”, assim como o Marco Legal da CT&I, sancionado em 2016 pela presidenta Dilma Rousseff.

No encontro na 78ª Reunião Anual da SBPC, Lula também ressaltou a importância do olhar para o fomento da Ciência além dos mecanismos tradicionais de financiamento. “Eu sei que na Ciência e na Educação, a gente tem que ter um projeto novo, uma proposta ousada, que a gente possa discutir, inclusive, fora do orçamento que nos cabe. Nós vamos ter que construir o financiamento disso até por fora das coisas que nós conhecemos como arcabouço fiscal, vamos ter que pensar onde arrumar dinheiro extra.”

O presidente também enalteceu o conhecimento acadêmico como precursor do desenvolvimento nacional, ressaltando seu papel na difusão do ensino superior. “Eu não falo com orgulho, porque isso não pode ser normal. Não pode ser normal que um mecânico que só tem um diploma primário e um curso do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) entre para a história como o presidente que mais investiu em universidades na história deste País. Não pode ser normal. Não pode, com tanta gente letrada que governou esse País. Porque se a quantidade de doutores que já governou esse país tivesse feito a lição de casa, a gente hoje seria uma nação altamente desenvolvida, altamente qualificada e uma nação que pudesse ser comparada à mais desenvolvida de qualquer parte do mundo.”

Caminhos políticos

Conforme antecipado em sua conferência na 78ª Reunião Anual da SBPC, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, entregou ao presidente da República a versão final da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a ENCTI 2024-2034, que define metas das políticas científicas pelos próximos 10 anos. Além da ENCTI, a ministra também prometeu um novo documento propositivo, derivado da Estratégia, mas com metas para os próximos cinco anos.

Segundo a edição Diário Oficial da União da última quinta-feira (28/07) , onde o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também homologou a nova ENCTI, trata-se do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o período de 2027 a 2031 (PACTI 2027-2031), que teve seu grupo de trabalho definido. A presidente da SBPC, Francilene Garcia, compõe a iniciativa, que também conta com o presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Luiz Antonio Elias; a presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Denise Pires de Carvalho; o presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Olival Freire Júnior; a presidente da Academia Brasileira de Ciências e presidente de honra da SBPC, Helena Nader, e demais membros.

A nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação é dividida em quatro metas: (1) elevar os investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB [Produto Interno Bruto] até 2034; (2) assegurar previsibilidade orçamentária – especialmente por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT); (3) reduzir dependências tecnológicas críticas e (4) fortalecer a integração entre Ciência e o setor produtivo.

“Essa Estratégia foi feita com muitas mãos. Ela foi iniciada na 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI), que há 14 anos não acontecia. São 100.000 pessoas que participaram dessa construção e esse documento estabelece um compromisso do Estado brasileiro com essa política pública. Porque ciência se faz assim, de mãos dadas”. Confira o documento da ENCTI aqui.


Para Santos, a ida de Lula à 78ª Reunião Anual da SBPC reforça o compromisso do Governo Federal com o setor. “Há um simbolismo muito forte na presença do presidente da República na Reunião Anual da SBPC, porque esse encontro expressa de maneira clara o lugar que a Ciência, Tecnologia e Inovação ocupam no projeto de nação que o presidente Lula está construindo mais uma vez. Um projeto que respeita e fortalece a comunidade científica e acadêmica, que entende o conhecimento como patrimônio público e respeita muito a inteligência brasileira.”

A presidente da SBPC, Francilene Garcia, destacou que Lula não estava naquele evento apenas como presidente da República, mas, também, como sócio da SBPC, à qual se filiou em 1994, sob o número 30.805.

“Todos nós que estamos aqui, neste momento, agradecemos a todas as conquistas que vivemos já há alguns anos. É importante dizer que este encontro do estadista, o presidente Lula, com a Ciência, representa mais de 45 anos de relacionamento, de alguém que acreditou que o País é capaz de ter soberania e se desenvolver a partir do seu próprio povo.”

Utilizando-se do lema da 78ª Reunião Anual da SBPC, Garcia comemorou a presença do presidente e a disponibilidade de sua gestão em encabeçar uma agenda que priorize a Ciência. “Nós, em nome da Diretoria da SBPC, que está toda aqui perfilada aqui à frente, o nosso Conselho, secretários regionais, dirigentes de instituições, de universidades, cada cidadã e cidadão que acredita na transformação desse país sobre a liderança de um verdadeiro estadista, agradecemos. O Brasil precisa de ciência para todos, soberania, desenvolvimento e inclusão”, concluiu.

Rafael Revadam – Jornal da Ciência

terça-feira, 28 de julho de 2026

Plano Nacional de Cultura: como foi construída a proposta que deve guiar as políticas culturais na próxima década


O Plano Nacional de Cultura (PNC) é um instrumento de planejamento das políticas culturais brasileiras. Previsto no artigo 215 da Constituição Federal, o documento estabelece princípios, diretrizes, objetivos e mecanismos de acompanhamento para orientar a atuação da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios no campo da cultura.

Além de organizar prioridades para um período de dez anos, o Plano busca assegurar continuidade às políticas culturais, independentemente de mudanças administrativas. Também serve como referência para a elaboração de planos estaduais, distrital, municipais e setoriais de cultura.

A primeira edição do PNC foi instituída pela Lei nº 12.343, de 2 de dezembro de 2010. Previsto inicialmente para vigorar por dez anos, o prazo foi ampliado pelas leis nº 14.156/2021 e nº 14.468/2022, mantendo o documento válido até 2024.

Participação social na nova proposta

A 4ª Conferência Nacional de Cultura estabeleceu as prioridades, x participantes priorizaram y propostas para atualizar as políticas culturais aos desafios atuais e de futuro (ou algo do tipo)

As contribuições apresentadas durante a 4ª Conferência Nacional de Cultura foram sistematizadas em 17 oficinas com as equipes do Ministério da Cultura e vinculadas e integrantes do CNPC na ENAP . Os encontros reuniram representantes de órgãos públicos e da sociedade civil para a elaboração de uma primeira proposta de princípios, diretrizes, eixos e objetivos.

Na etapa seguinte, foram realizadas oficinas territoriais nas 27 capitais brasileiras, com a participação de mais de 1,8 mil pessoas. O processo também contou com consulta digital na plataforma Brasil Participativo.

A consulta digital permaneceu disponível durante 83 dias. Nesse período, a página dedicada ao PNC recebeu mais de 85 mil acessos.

A participação pela plataforma resultou em cerca de 4,2 mil respostas a uma enquete, mais de 1,2 mil propostas de metas e aproximadamente 24 mil votos. As contribuições abordaram princípios, diretrizes, transversalidades, problemas identificados, objetivos, metas e o preâmbulo do Plano.

Ao todo, a página oficial do PNC registra a sistematização de 3.395 contribuições recebidas durante as diferentes etapas do processo participativo.

Após a análise das propostas, o conteúdo foi consolidado no texto do projeto de lei do novo Plano Nacional de Cultura. O documento também prevê que as metas, as ações estratégicas e os indicadores sejam definidos e acompanhados por meio dos mecanismos de governança e participação social vinculados ao Sistema Nacional de Cultura.

O que a proposta estabelece

O projeto de lei reúne os elementos que deverão orientar as políticas culturais durante o período de vigência do novo PNC. Entre eles estão:princípios e diretrizes da política cultural;
transversalidades que devem ser consideradas nas ações;
eixos e objetivos estratégicos;
mecanismos de governança;
instrumentos de monitoramento e avaliação;
formas de articulação entre os entes federativos;
participação e controle social.

A proposta também prevê que as metas, ações estratégicas e indicadores serão estabelecidos em regulamentação da lei uma vez aprovada. As metas são fruto do mesmo processo participativo que resultou no PL, tendo sido debatidas nas oficinas participativas. Com indicadores de referência, permitirão acompanhar a implementação do Plano e avaliar os resultados alcançados durante sua vigência.

Em que fase está o novo PNC

A proposta tramita na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 5.894/2025, que institui o Plano Nacional de Cultura para o decênio de 2025 a 2035.

Atualmente, o projeto está em regime de urgência, pronto para inclusão na pauta do Plenário e aguardando despacho da Presidência da Câmara dos Deputados. Após a análise parlamentar, o texto ainda deverá cumprir as demais etapas do processo legislativo.

Consulte o documento

O Resumo Executivo do Projeto de Lei do Plano Nacional de Cultura apresenta os princípios, as diretrizes, as transversalidades, os eixos estratégicos, os objetivos e os mecanismos de governança previstos na proposta.

Acesse aqui o Resumo Executivo do Projeto de Lei do Plano Nacional de Cultura.

Também estão disponíveis documentos sobre a metodologia utilizada na construção do Plano e sobre a análise das contribuições recebidas durante o processo de participação social.

sábado, 25 de julho de 2026

Mulheres negras exaltam Tereza de Benguela e cobram titulação de terra



Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é neste sábado (25)

Neste sábado (25), é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, marco de reconhecimento da luta pelos direitos das mulheres negras. Desde 2014, o 25 de julho é também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola.



Tereza de Benguela viveu no século 18 e se tornou líder do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, depois que seu marido, José Piolho, foi assassinado por soldados do estado. Conhecida como “rainha Tereza”, ela liderou por 20 anos a comunidade de mais de 100 pessoas – entre indígenas e negros – que resistiu à escravidão até 1770.


Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso - Fundação Cultural Palmares - Governo Federal

Não se sabe se Tereza morreu em combate contra portugueses que invadiram o quilombo ou se ainda conseguiu viver mais alguns anos. Também é incerto o local onde nasceu – se em algum país do continente africano ou no Brasil. O que se sabe é que Tereza de Benguela tornou-se referência de luta e resistência para as mulheres negras do Brasil.

Leonor Costa, jornalista, pesquisadora em Direitos Humanos e militante do Movimento Negro Unificado, destaca o legado deixado pela líder quilombola.


“Teresa de Benguela tem a nos ensinar que, diante da opressão, não há outra alternativa que não seja a luta, que não seja o enfrentamento de um sistema que oprime.”

Documentos históricos indicam que Tereza de Benguela governava o quilombo em um sistema semelhante ao de um Parlamento, com decisões tomadas coletivamente.


Selma Dealdina Mbaye cobra urgência na titulação de terras quilombolas - Ester Cezar/ISA

Para Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, a força da rainha Tereza está viva na luta das mulheres pelo direito à terra. Ela destaca a urgência da titulação de territórios quilombolas como pauta deste 25 de julho.

"A maioria do público dos territórios quilombos é formada por mulheres e essas mulheres também anseiam ver os seus territórios titulados, livres de grilagem de terras, da exploração, da mineração, livre de todas as violências e violações."

Segundo ela, há o Brasil mais de 8 mil quilombos, que reúnem mais de 1,3 milhão de pessoas, em 24 estados e mais de 1,7 mil municípios. "Então, a gente tem um número significativo de pessoas nesses espaços e a gente precisa cada vez mais garantir esses territórios.”
Memória

Desde 2014, a dia 25 de julho foi instituído por lei como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data nacional soma-se ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado desde 1992, quando ocorreu o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana.

O evento contou com representantes de mais de 30 países, que denunciaram violências como o racismo e as desigualdades sofridas por mulheres negras e buscaram construir uma agenda coletiva de mobilização.

No Brasil, desde 2013, ocorre o Julho das Pretas, iniciativa criada pelo Odara, Instituto da Mulher Negra de Salvador. Este ano, a agenda da 14ª edição reúne mais de 600 atividades espalhadas pelo país, organizadas por quase 300 coletivos ao longo do mês.


Entre as ações, está a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que exige justiça por Luana Barbosa, mulher negra e lésbica, espancada e morta há dez anos, depois de se recusar a ser revistada por policiais homens durante uma abordagem em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.